02 junho 2017


Point of View — Chloe Miller   
Havia ido de táxi até o restaurante indicado por Felícia, não conhecia bem o lado norte da cidade e para não me perder preferi não arriscar ir de ônibus. Paguei o motorista e entrei no restaurante italiano. Procurei a loira entre as mesas e sorri ao vê-la em uma mesa no canto. Me dirigi até lá e ela se levantou   
— Que saudades. — disse me abraçando.
— Também estava, Fe. — falei retribuindo o abraço, nos soltamos e nos sentamos na mesa uma de frente para a outra.
— Como foi a festa de encerramento? — perguntou apoiando os braços na mesa.
— Normal, meus pais não foram. — disse dando de ombros, já que tinha sido uma decisão minha não avisar a eles quando tudo terminava — Como está sendo o trabalho?   
— Cansativo. — disse entediada. — Tem dia que é legal, mas tem dias que Jesus. — falou colocando a mão na testa e suspirando. — Tipo, divórcio são os piores, não para o meu bolso, — ela riu e eu a acompanhei. — mas as brigas constantes são um saco. E você, já está no mundo dos negócios?   
— Ainda não, infelizmente não consegui nada até agora. — fiz uma carinha triste e ela deu um pequeno sorriso.
— Cadê o contrato? — tirei o papel da bolsa e a entrei. — Agora me conta, como isso aconteceu?
— Eles precisam de dinheiro e para isso Justin tem que casar e eu fui a escolhida. — revirei os olhos.
— E por que você aceitou se não quer? — ela me olhava sem entender.
— Eu ganho um valor do dinheiro e da para comprar uma casa para meus pais, ajudar eles de um algum jeito. Fora que minha mãe acha que será a minha melhor oportunidade de trabalho.
— Isso é verdade. Me dá 10 minutos e eu te digo se esse é um bom contrato.
Enquanto ela lia fiz meu pedido e o dela. Fiquei a encarando até ela terminar de ler tudo. Felicia me olhou sorrindo   
— Esse é o contrato com menos injustiças que eu já li. Não concordo com a parte que você tem que fazer de tudo mesmo que não tenha sido avisada, mas por ser uma herança é compreensivo.   
— Então posso assinar sem problemas? — perguntei com medo.
— Sim, confie em mim. Se algo der errado você terá minha ajuda, mas não acho que tem segundas intenções em nada aí. Principalmente pelo valor do dinheiro que você receberá estar definido no papel, além de que, você vai ganhar o que quiser quando estiver noiva e casada com ele.   
— Muito obrigada. — disse sorrindo e pegando o papel que ela estendia.   
— Vou ser convidada? — perguntou rindo e eu a encarei.
— Claro, pensei até em te levar ontem para a reunião, mas a minha mãe não deixou. Creio que você será a pessoa que mais irá saber desse casamento, não quero que isso me prejudique em nada.
— Não irá, não segundo o contrato. — ela afirmou sorrindo.
— Vamos mudar de assunto. Como estar o Calvin? — Calvin era o namorado da Felicia e o mesmo tentava a carreira de DJ  
— No momento viajando para um desses festivais para tentar decolar na carreira. Fomos morar juntos no apartamento dele, fica no sul.
— Uau é quase uma hora até lá. Minha futura sogra mora por lá. — disse rindo e ela me acompanhou. O garçom trouxe nossos pratos e agradecemos.
— Vai ter um jantar de noivado? — perguntou dando uma garfada em seu prato.
— Não sei, nem conheço meu noivo. — ela riu me olhando pasma.
— Sério? É um contrato mesmo. Quem é o noivo mesmo?   
— O Bieber, e eu só o vi duas vezes em toda minha vida.  
— Fora aquela festa? — Felícia me olhou safada e eu revirei os olhos.
— Ok, três. Minha mãe é empregada da mãe dele, por isso estou aceitando isso. Ela não merecer morrer limpando a casa dos outros enquanto mora de aluguel. — comprimi minha boca deixando em uma linha reta.
— Verdade, lembro quando era com a minha mãe, ainda bem que o negócio dela de imobiliária deu certo.  — ela sorriu orgulhosa.
Continuamos a conversa até cerca de 16 horas. Assinei os papéis antes de sair do restaurante e peguei outro táxi indo em direção a mansão Bieber. Esperava encontrar minha mãe ainda na casa, mas quem atendeu a porta foi Patrícia  
— Chloe, que surpresa. — ela falou me dando passagem.
— Vim trazer o contrato, tudo assinado. — disse a entregado o papel que estava na minha bolsa.
— Já leu? Foi tão rápido. — ela parecia surpresa, sorri sem mostrar os dentes .
— Sim, li ontem quando cheguei em casa e hoje pedi a minha amiga que é advogada para dar uma olhada. Estou vindo do meu encontro com ela, a senhora pediu com urgência então não tinha porque enrolar para entregar.
— Obrigada. Você estar livre na sexta? — a olhei sem entender. — Para o jantar com o Justin?  
— Ah, claro. Me mande o endereço do local e a hora, que eu estarei lá.   
— Chloe, muito obrigada. Você não sabe o quanto estar nos ajudando.   
— Espero mesmo, senhora Bieber. O que mais espero é não sair prejudicada nessa história.  
— Você não vai, não se preocupe com isso, ira receber o valor que está no contrato e nada de ruim irá acontecer. E por favor pode me chamar de Pattie, logo seremos apenas uma família.
— Acho que não será uma boa publicidade para sua família seu filho se casar com a filha da empregada da casa.
— Não me importo com isso, querida. Sua mãe é um grande mulher, só não teve a oportunidade para fazer o que queria, espero que agora ela consiga. — sorri com suas palavras, ela vinham do coração e isso era realmente maravilhoso. — Sinceramente, sua mãe é o mais perto que tenho de uma melhor amiga. É a única que me ajuda porque quer e não por dinheiro, por isso lhe escolhi, sei que ela lhe criou bem.   
— Muito obrigada — fiz uma pausa e ela riu. — Pattie. — falei por fim, pois quase ia sair senhora.   
— Estou apenas falando a verdade, Sofia é como um membro da família, estar aqui a tanto tempo que não a consideramos mais como uma empregada. Falando nisso, acho que o jantar deveria ser aqui, já que vocês vão se conhecer, creio que aqui é mais confortável para isso. Não teremos público e nem paparazzis. Você sabe, sempre estão atrás de alguma fofoca. — assenti.
— Tudo bem. As 20 horas?   
— Perfeito. — ela sorriu.
— Minha mãe ainda estar ai?  
— Não, querida. Ela já foi.
— Tudo bem, obrigada. Nos vemos sexta. — abracei minha futura sogra e sai de sua casa voltando para o táxi, que havia pedido para me esperar. Dei o endereço da minha casa e fique olhando as casas passar até chegar na minha. Paguei a corrida e desci do carro indo até a porta. Destranquei a mesma e vi minha mãe no sofá. — Cheguei. — falei atraindo sua atenção.
— Onde estava? — perguntou um pouco preocupada.
— Agora? Na mansão Bieber, fui entregar o contrato. — disse me sentando do seu lado.
— Você assinou? — vi a felicidade em seu olhar e foi impossível não sorrir.
— Sim, mãe. Eu assinei o contrato. — ela me abraçou.
— Obrigada, querida. Sei que isso deve ser a pior coisa que já lhe pedi, mas esse dinheiro vai nos ajudar a comprar uma casa.
— Eu sei, mãe. Não se preocupe, estou fazendo isso por você e pelo papai, vocês merecem uma casa de verdade. — dei um beijo em sua bochecha e vi que seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Quem sabe você larga esse emprego e começa seu sonho?   
— Seria um sonho, mas estou velha querida. — ela sorriu um pouco triste.
— Nunca é tarde para começar. — pisquei para ela arrancando uma risada da minha mãe.   
Point of View — Justin Bieber
Meu celular tocou me fazendo bufar, ele sempre tocava quando estava concentrado. Soltei o lápis e peguei o aparelho vendo o nome que estava na tela. Deslizei meu dedo sobre a tela e atendi a ligação colocando no viva voz.
— Oi, mãe. — disse passando a mão no cabelo e respirando fundo.
— Tudo certo, Justin. Sexta às 20 horas, aqui em casa.
— Ok, quem é ela? — perguntei tirando do viva voz e colocando o aparelho próximo do ouvido.
 Chloe Miller. — ela falou e eu tentei procurar em minha mente algo sobre ela.
— Não sei quem é. — disse por fim.
— Filha da Sofia. Seja simpático com ela, nada pode dar errado. — revirei os olhos com seu tom rude
— Eu sou simpático.
 Você entendeu, Justin. Vocês precisam se dar bem para não dar nada errado e nem ninguém desconfiar.  
— Tudo bem, mãe. Como quiser. Agora vou voltar a trabalhar. — disse sem paciência para seus discursos.
— Tchau, filho. — dona Patrícia falou e eu escutei o tu tu tu do outro lado da linha. Coloquei o aparelho onde ele estava antes da ligação e peguei o lápis novamente. Olhei para o plano que estava fazendo de um novo prédio do meu pai, eu tinha um tamanho específico e precisava colocar dois quarto em um e três quartos em outro, no mesmo tamanho de apartamento.  
Porém minha concentração foi toda embora e no lugar ficou a curiosidade. Não fazia a menor ideia de quem era essa mulher ou se já tinha a visto.

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